“Ide e pregai”: uma análise exegética de Marcos 16:15
O particípio grego, o imperativo da proclamação e a missão da igreja à luz do Cristo ressurreto
Poucos textos são tão conhecidos no vocabulário missionário da igreja quanto Marcos 16:15: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. A frase é forte, direta e profundamente mobilizadora. Ela tem sido usada em congressos missionários, sermões evangelísticos, cultos de envio, conferências pastorais e apelos à obra de evangelização. Por meio dela, gerações foram lembradas de que a igreja não existe para si mesma, mas para anunciar ao mundo a boa notícia de Jesus Cristo.
Contudo, quando examinamos o texto grego, descobrimos uma questão importante: a palavra traduzida como “ide” não está, tecnicamente, no modo imperativo. Ela aparece como particípio. Já o verbo traduzido por “pregai” está no imperativo. Isso levanta uma pergunta legítima: o mandamento principal de Marcos 16:15 está em “ir” ou em “pregar”? O “ide” é uma ordem direta ou uma forma participial que acompanha o mandamento principal? E que diferença isso faz para a missão da igreja?
A resposta precisa ser cuidadosa. Uma leitura apressada pode cair em dois erros. O primeiro é ignorar a gramática grega e tratar o texto apenas como frase de efeito. O segundo é usar a gramática para enfraquecer a força missionária da passagem. A boa exegese evita os dois extremos. Ela observa a forma verbal, considera a sintaxe, reconhece o contexto e, ao mesmo tempo, permanece sensível ao propósito pastoral e missionário do texto.
A missão da igreja não nasce de entusiasmo humano, mas da autoridade do Cristo ressurreto, que envia seu povo a proclamar o evangelho.
O texto grego de Marcos 16:15
O texto grego de Marcos 16:15 é o seguinte:
Καὶ εἶπεν αὐτοῖς· Πορευθέντες εἰς τὸν κόσμον ἅπαντα κηρύξατε τὸ εὐαγγέλιον πάσῃ τῇ κτίσει.
Kai eipen autois: poreuthéntes eis ton kósmon hápanta, kērýxate to euangélion pásē tē ktísei.
Uma tradução bem literal seria: “E disse-lhes: Indo por todo o mundo, proclamai o evangelho a toda a criação”. A tradução tradicional em português, porém, costuma dizer: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. A diferença entre “indo” e “ide” está no centro da discussão gramatical.
A palavra grega Πορευθέντες — transliterada como poreuthéntes, lendo-se aproximadamente “poreu-thén-tes” — vem do verbo πορεύομαι (poreúomai), que significa ir, caminhar, partir, deslocar-se ou prosseguir. Em Marcos 16:15, ela não está no imperativo, mas no particípio aoristo.
Já a palavra κηρύξατε — transliterada como kērýxate, lendo-se aproximadamente “kê-rí-xa-te” — vem do verbo κηρύσσω (kērýssō), que significa proclamar, anunciar publicamente, pregar como arauto. Essa forma verbal é um imperativo aoristo ativo, segunda pessoa do plural. Portanto, o mandamento formal do versículo está no verbo “pregai” ou “proclamai”.
O ponto técnico: particípio e imperativo
Em português, quando lemos “ide e pregai”, temos a impressão de dois imperativos colocados lado a lado: primeiro, “ide”; depois, “pregai”. No grego, porém, a construção é diferente. O primeiro termo, poreuthéntes, é particípio. O segundo, kērýxate, é imperativo. Assim, se estivermos falando estritamente de morfologia, Marcos 16:15 não apresenta dois imperativos formais, mas um particípio acompanhado de um imperativo.
Isso não significa, porém, que o particípio seja fraco ou irrelevante. No grego do Novo Testamento, o particípio é uma forma verbal muito rica. Ele pode expressar tempo, modo, circunstância, causa, concessão, condição, meio e também pode acompanhar de maneira próxima a ação verbal principal. Em certas construções, o particípio se une ao verbo principal de tal modo que, na tradução para o português, pode ser natural expressar a ideia com dois verbos coordenados.
Por isso, dizer que poreuthéntes é particípio não elimina a ideia de movimento missionário. O texto não está simplesmente dizendo: “caso vocês estejam andando por aí, aproveitem e preguem”. A frase está situada dentro de uma comissão. O Cristo ressurreto fala aos seus discípulos e aponta a extensão da missão: “por todo o mundo”. O particípio indica o deslocamento, o movimento, a saída; o imperativo define a ação central: proclamar o evangelho.
Em Marcos 16:15, o imperativo formal está em “pregai”; mas o particípio “indo” participa do movimento missionário da ordem.
“Indo” ou “ide”? A tradução está errada?
Uma pergunta surge naturalmente: se poreuthéntes significa literalmente “indo” ou “tendo ido”, então traduzir por “ide” está errado? A resposta exige equilíbrio. Se a preocupação for mostrar a forma gramatical exata, “indo” é uma tradução mais transparente. Ela ajuda o leitor a perceber que o verbo principal do mandamento é “pregai”. Porém, se a preocupação for transmitir a força da construção no contexto da comissão missionária, “ide e pregai” pode comunicar bem a ideia geral.
O problema não está necessariamente na tradução “ide”. O problema está em construir uma teologia da missão como se o deslocamento fosse o centro absoluto do versículo. O centro verbal está na proclamação. A igreja é enviada para anunciar. O movimento existe em função da mensagem. O ir serve ao pregar. O deslocamento serve à proclamação. A missão não é apenas sair; é sair com o evangelho.
Esse ponto também aparece em Mateus 28:19. Ali lemos no grego πορευθέντες οὖν μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη — poreuthéntes oun mathēteúsate pánta ta éthnē — que pode ser traduzido literalmente como “indo, portanto, fazei discípulos de todas as nações”. O verbo principal é μαθητεύσατε (mathēteúsate), “fazei discípulos”. Mesmo assim, a tradução “ide e fazei discípulos” comunica a força missionária da passagem, desde que se compreenda que o mandamento central é fazer discípulos.
Em Marcos 16:15, acontece algo semelhante. O mandamento principal não é meramente “ir”, mas “pregar”. Contudo, essa pregação não deve permanecer imóvel, confinada, confortável ou restrita. Ela deve alcançar “todo o mundo” e “toda criatura”. Assim, a gramática não enfraquece a missão; ela organiza a missão: a igreja vai para proclamar, e proclama enquanto vai.
O valor do particípio na teologia da missão
O particípio poreuthéntes nos ajuda a enxergar que a missão acontece no caminho. A igreja não proclama apenas em eventos oficiais, cultos evangelísticos ou grandes campanhas. Ela proclama enquanto caminha no mundo. O evangelho deve acompanhar a vida do povo de Deus: no lar, no trabalho, na cidade, nas relações, nas viagens, nos encontros providenciais e também nos campos missionários transculturais.
Isso não elimina o envio formal de missionários. A Escritura apresenta a igreja enviando, sustentando e acompanhando aqueles que partem para anunciar Cristo em outros lugares. Mas a missão não pertence apenas aos que atravessam oceanos. Todo cristão é chamado a viver com consciência testemunhal. A igreja inteira carrega a responsabilidade de tornar Cristo conhecido.
Assim, o particípio nos protege de uma visão estreita da missão. “Indo” aponta para uma vida em movimento. “Pregai” aponta para uma mensagem definida. A missão bíblica não é apenas presença silenciosa, nem apenas discurso sem encarnação. Ela envolve presença, deslocamento, testemunho, proclamação, discipulado e fidelidade ao evangelho.
Ir sem proclamar pode virar apenas deslocamento. Proclamar sem disposição de ir pode virar discurso fechado em si mesmo.
O verbo “pregar”: proclamação como anúncio autorizado
O verbo kērýxate, de kērýssō, possui grande importância. Ele carrega a ideia de proclamar como arauto. No mundo antigo, o arauto não era dono da mensagem. Ele era enviado para anunciar publicamente uma palavra recebida de uma autoridade superior. Sua responsabilidade não era editar a mensagem segundo preferências pessoais, mas proclamá-la com fidelidade.
Essa imagem é essencial para a missão cristã. A igreja não é autora do evangelho. Ela é serva do evangelho. Não cria a mensagem, mas a recebe. Não negocia seu conteúdo, mas o anuncia. Não adapta sua essência ao gosto do público, mas apresenta Cristo como Senhor e Salvador. A pregação cristã não é opinião religiosa elevada ao púlpito; é proclamação da obra redentora de Deus em Cristo.
Por isso, o mandamento “pregai” não pode ser reduzido a qualquer tipo de fala religiosa. Nem toda comunicação cristã é proclamação evangélica. Podemos falar sobre valores, família, moralidade, cultura, propósito, sucesso, espiritualidade e ainda assim não anunciar o evangelho. O conteúdo da proclamação em Marcos 16:15 é específico: τὸ εὐαγγέλιον — to euangélion, isto é, “o evangelho”.
O evangelho como conteúdo, não como enfeite religioso
Marcos começa seu livro dizendo: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Marcos 1:1). Mais adiante, Jesus anuncia: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15). Portanto, quando Marcos 16:15 ordena que o evangelho seja pregado, o conteúdo não é genérico. Trata-se da boa notícia de Deus em Jesus Cristo: sua pessoa, sua obra, sua morte, sua ressurreição, seu senhorio e seu chamado ao arrependimento e à fé.
Hernandes Dias Lopes, em seu comentário sobre Marcos, ressalta que o evangelho não é mera discussão nem debate, mas proclamação centrada na pessoa e na obra de Cristo. Essa ênfase é importante. O coração da mensagem cristã não é o desempenho humano, mas aquilo que Deus fez por nós em Cristo. O evangelho não começa com nossa capacidade de ir, mas com a ação salvadora de Deus.
A igreja precisa lembrar disso constantemente. A missão não é anunciar a instituição, o pastor, a denominação, a programação ou a cultura de uma comunidade. A missão é anunciar Cristo. Programas podem servir à missão, estruturas podem apoiar a missão, estratégias podem organizar a missão, mas nada disso substitui a proclamação clara do evangelho.
A igreja não foi enviada para anunciar a si mesma. Foi enviada para proclamar o evangelho de Jesus Cristo.
“Todo o mundo” e “toda criatura”
A abrangência da missão aparece em duas expressões fortes. A primeira é εἰς τὸν κόσμον ἅπαντα — eis ton kósmon hápanta — “por todo o mundo”. A segunda é πάσῃ τῇ κτίσει — pásē tē ktísei — “a toda criatura” ou “a toda criação”. Essas expressões mostram que a proclamação do evangelho não deve ser confinada a um povo, território, classe social, idioma, cultura ou grupo religioso.
O evangelho possui alcance universal porque Cristo é Senhor sobre todos. A igreja não recebeu uma mensagem tribal, secreta ou privada. Recebeu uma boa notícia pública, destinada a ser anunciada amplamente. A missão da igreja nasce da vitória de Cristo e se estende ao mundo sob sua autoridade.
Essa universalidade está em harmonia com outras passagens do Novo Testamento. Em Mateus 28:18-20, o discipulado deve alcançar todas as nações. Em Lucas 24:46-49, o arrependimento para remissão de pecados deve ser pregado a todas as nações. Em Atos 1:8, os discípulos são chamados a testemunhar em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra. Marcos 16:15 está dentro dessa grande direção missionária do Novo Testamento.
A questão textual do final de Marcos
Uma análise honesta de Marcos 16:15 precisa mencionar a questão textual do final do Evangelho de Marcos. Os versículos 9 a 20, conhecidos como o “final longo de Marcos”, não aparecem em alguns dos manuscritos gregos mais antigos e importantes. Por isso, muitas Bíblias modernas trazem uma nota informando que essa seção possui discussão textual.
Isso não deve ser tratado com medo nem com sensacionalismo. A crítica textual é uma área séria dos estudos bíblicos e procura comparar manuscritos, versões antigas e citações patrísticas para compreender a transmissão do texto. O fato de uma passagem possuir discussão textual não significa que a Bíblia esteja em colapso, nem que a fé cristã esteja ameaçada. Significa que devemos ler com honestidade, reverência e responsabilidade.
É importante destacar que a missão da igreja não depende exclusivamente de Marcos 16:15. Mesmo que alguém entenda que Marcos 16:9-20 não fazia parte do final original do Evangelho, a doutrina da missão permanece firmemente estabelecida em textos como Mateus 28:18-20, Lucas 24:46-49, João 20:21, Atos 1:8 e na prática missionária dos apóstolos ao longo do livro de Atos. A igreja não prega por causa de um único texto isolado, mas porque o Cristo ressurreto a enviou.
A missão da igreja não se apoia em um texto isolado, mas no testemunho amplo do Novo Testamento sobre o Cristo ressurreto que envia seus discípulos.
A gramática não deve esfriar a obediência
Há uma tentação comum entre estudantes da Bíblia: descobrir um detalhe técnico e usá-lo como se ele desmontasse a leitura tradicional. Alguém aprende que “ide” é particípio e imediatamente conclui: “Então Jesus não mandou ir”. Essa conclusão é precipitada. O texto não deve ser lido apenas por uma palavra isolada, mas pela construção inteira, pelo contexto da comissão e pela teologia missionária do Novo Testamento.
A gramática serve à exegese, e a exegese serve à obediência. O conhecimento técnico não deve produzir frieza espiritual. Ao contrário, deve produzir maior reverência. Saber que o imperativo está em “pregai” não diminui a missão; apenas nos ajuda a compreender melhor seu centro. A igreja não é chamada apenas a se movimentar, mas a proclamar. Não basta estar presente no mundo; é preciso anunciar Cristo ao mundo.
Por outro lado, também não devemos desprezar a técnica. A fé cristã não é inimiga do estudo sério. Pastores, pregadores, professores e estudantes precisam aprender a lidar com o texto bíblico com cuidado. A Palavra de Deus merece mais do que frases prontas. Ela merece leitura atenta, interpretação responsável e aplicação fiel.
A missão como proclamação e testemunho
A ordem “pregai” não deve ser reduzida ao púlpito dominical, embora o púlpito seja lugar central da proclamação. A igreja proclama quando prega publicamente, ensina fielmente, evangeliza pessoalmente, discipula novos convertidos, planta igrejas, envia missionários, traduz as Escrituras, forma líderes e testemunha no cotidiano. A proclamação assume diferentes formas, mas seu conteúdo permanece o mesmo: Cristo e seu evangelho.
Também é necessário afirmar que a vida cristã deve confirmar a mensagem pregada. O testemunho de santidade, amor, justiça, misericórdia e humildade não substitui o evangelho verbal, mas o acompanha. A igreja deve falar e viver de modo coerente. Uma proclamação sem vida piedosa soa vazia; uma vida piedosa sem proclamação pode deixar o evangelho sem explicação.
A missão bíblica une palavra e vida, anúncio e presença, proclamação e serviço. Contudo, nunca podemos esquecer: o evangelho precisa ser dito. Ninguém entenderá a morte vicária de Cristo, sua ressurreição, o chamado ao arrependimento e a promessa de perdão apenas observando boas obras. O evangelho tem conteúdo e precisa ser anunciado.
Boas obras adornam o evangelho, mas não substituem a proclamação do evangelho.
O Cristo que envia é o Cristo que sustenta
A força da missão não está apenas na análise verbal do texto, mas na autoridade daquele que fala. Marcos 16:15 apresenta o Cristo ressurreto comissionando seus discípulos. Aquele que foi crucificado vive. Aquele que foi rejeitado foi vindicado por Deus. Aquele que sofreu como Servo é o Senhor que envia sua igreja.
A missão cristã nasce da ressurreição. A igreja não anuncia uma ideia religiosa, uma filosofia moral ou uma espiritualidade genérica. Ela proclama um acontecimento redentor: Cristo morreu pelos pecadores e ressuscitou dentre os mortos. O evangelho é notícia antes de ser conselho. É anúncio daquilo que Deus fez antes de ser chamado ao que devemos fazer.
Isso consola e corrige a igreja. Consola porque a missão não depende da força humana. O mesmo Cristo que envia sustenta. Corrige porque a igreja não tem direito de alterar a mensagem daquele que a enviou. Somos servos, não donos. Somos arautos, não autores. Somos testemunhas, não senhores do evangelho.
Aplicações pastorais
A primeira aplicação é que a igreja deve recuperar a centralidade da proclamação. O verbo principal de Marcos 16:15 é “pregai”. Isso nos chama a valorizar a pregação fiel, a evangelização clara, o ensino bíblico, o discipulado e a coragem de anunciar Cristo em uma cultura que frequentemente prefere espiritualidade sem arrependimento, religião sem cruz e esperança sem senhorio.
A segunda aplicação é que a missão exige movimento. O particípio “indo” impede que a igreja se torne estática. O evangelho não deve ficar preso aos templos, às agendas internas e aos círculos confortáveis. A igreja deve atravessar fronteiras geográficas, culturais, sociais e relacionais. Alguns serão chamados para outras nações; outros serão fiéis no bairro, na família, no trabalho, na universidade, no hospital, no cárcere ou nas conversas simples da vida cotidiana.
A terceira aplicação é que a mensagem precisa permanecer evangelho. Nem toda fala religiosa é proclamação evangélica. O mundo não precisa apenas de moralismo cristão, motivação religiosa ou linguagem espiritual. O mundo precisa ouvir sobre Cristo: sua encarnação, sua cruz, sua ressurreição, sua graça, seu senhorio e seu chamado ao arrependimento e à fé.
A quarta aplicação é que a missão deve ser feita com humildade e dependência. A igreja proclama, mas somente Deus salva. O pregador anuncia, mas o Espírito convence. O missionário semeia, mas o crescimento vem do Senhor. Isso nos livra da soberba quando vemos frutos e do desespero quando não vemos resultados imediatos.
Conclusão
Em Marcos 16:15, a palavra traduzida como “ide” é Πορευθέντες (poreuthéntes), um particípio aoristo. O imperativo formal está em κηρύξατε (kērýxate), “pregai” ou “proclamai”. Portanto, a ordem central do versículo recai sobre a proclamação do evangelho. Contudo, o particípio não deve ser tratado como elemento sem importância. Ele acompanha o imperativo e aponta para o movimento missionário da igreja em direção ao mundo.
A tradução “ide e pregai” é uma forma adequada de expressar, em português, a força comissionadora da passagem, desde que entendamos corretamente sua estrutura: a igreja vai para proclamar, e proclama enquanto vai. O deslocamento serve à mensagem. A missão não é apenas ir; é anunciar Cristo.
A questão textual do final de Marcos deve ser reconhecida com honestidade, mas não enfraquece a doutrina bíblica da missão. O Novo Testamento inteiro confirma que o Cristo ressurreto envia sua igreja para testemunhar, fazer discípulos, anunciar arrependimento e perdão, e proclamar o evangelho até os confins da terra.
Assim, Marcos 16:15 continua chamando a igreja à obediência. Não basta admirar a missão. Não basta estudar a gramática. Não basta reconhecer a beleza do texto. A igreja precisa proclamar. O mundo precisa ouvir. Cristo deve ser anunciado. E o povo de Deus deve viver como comunidade enviada, caminhando sob a autoridade do Senhor ressurreto e proclamando, com fidelidade e coragem, o evangelho a toda criatura.
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